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Nossa singular natureza

Biologicamente, todos os homens somos classificados como Homo Sapiens. Apesar de fazermos parte da mesma espécie e sermos categorizados de maneira idêntica, são inegáveis as diferenças entre os seres humanos.

Biologicamente, todos os homens somos classificados como Homo Sapiens.

Apesar de fazermos parte da mesma espécie e sermos categorizados de maneira idêntica, são inegáveis as diferenças entre os seres humanos.

E não nos referimos apenas às diferenças físicas, mas, em especial, às diferenças morais e intelectuais.

Esse campo se torna ainda mais vasto se pensarmos sobre nossos dons e talentos: alguns aparentamos sermos feitos para as artes; outros, para as ciências exatas e outros, ainda, para as tantas faces das ciências e do conhecimento humano.

De tal modo, podemos pensar num sem-fim de vocações e possibilidades.

Dessa forma, percebemos que, embora pertencentes à mesma espécie, oriundos da mesma origem físico-espiritual, possuímos talentos, atributos e dons distintos.

*     *     *

Conta-se que, há muitos anos, um homem bastante sábio encontrou em seu caminho uma cobra que fora vítima de uma armadilha e estava morrendo queimada.

Por ter um coração generoso, ele decidiu tirá-la do fogo.

Todavia, quando assim o fez, a cobra, assustada e sentindo-se em perigo, o picou.

Pela reação da dor que sentiu, o homem a soltou e ela novamente caiu nas labaredas.

Pela segunda vez, o homem tentou tirar a cobra de seu sofrimento e ela o picou, mais uma vez.

Um jovem rapaz, que acompanhava o sábio em sua jornada, o questionou:

Desculpe pela ousadia, meu bom homem. Mas percebo que o senhor é muito teimoso! Não percebe que, em todas as vezes que tentar retirar a cobra do fogo, ela irá picá-lo? Esse animal não merece salvação. Deixe que ele queime nas brasas!

Enquanto fazia uma terceira tentativa de salvar a cobra e, sendo novamente picado, dessa vez salvando-a, redarguiu ao jovem:

Meu nobre rapaz, a natureza da cobra é picar. E isso não irá mudar a minha natureza, que é ajudar.

*     *    *

Na questão 115 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec questiona aos benfeitores: Os Espíritos foram criados uns bons e outros maus?

E eles respondem: Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um deles uma missão, com o fim de os esclarecer e progressivamente conduzir à perfeição, pelo conhecimento da verdade e para os aproximar dele.

Fomos criados todos da mesma maneira. Todavia, ao longo das oportunidades reencarnatórias que se sucedem, vamos adquirindo experiências e conhecimentos, uns mais, outros menos, o que nos torna, assim, únicos em nossas particularidades.

Portanto, somos singulares em nossa natureza íntima e é de nossa singularidade que brotam nossos dons e talentos.

Dessa forma, reflitamos: quais dons, quais talentos, que sentimentos, quais virtudes fazem parte de nós?

Ainda: nossa índole está a serviço de nosso progresso, do progresso do próximo, da prática e aperfeiçoamento do bem, da paz, do amor, da caridade, da justiça?

Pensemos nisso e recordemos as palavras do grande Victor Hugo: Seja como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas!


Redação do Momento Espírita, com base em conto de autor desconhecido; no item 115,
 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB e em citação colhida do livro Odes et
 poésies diverses, de Victor Hugo, ed. GF – Flammarion.

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