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Todos pacientes do mesmo hospital

Pode-se instigar a guerra e mobilizar as forças da destruição; calar a música da alegria dos povos e aumentar a dor no carro da vida. Nunca, porém, se poderão calar as vozes da esperança e as canções de paz da natureza, convidando os homens à vitória sobre as paixões.

Pode-se instigar a guerra e mobilizar as forças da destruição; calar a música da alegria dos povos e aumentar a dor no carro da vida.

Nunca, porém, se poderão calar as vozes da esperança e as canções de paz da natureza, convidando os homens à vitória sobre as paixões.

*   *   *

A destruição causada pelo homem ainda ignorante assusta.

A cada vez que sabemos de atentados, assassínios, catástrofes, nosso coração parece querer calar.

Silenciamos, horrorizados, perante a guerra ainda permanente na Terra.

Como isso ainda é possível? Como o ser humano é cruel! Como foi capaz? – São expressões correntes.

Esquecemo-nos, entretanto, que as barbáries dos homens ainda revelam a condição de todos nós que aqui estamos.

Na maioria, não somos muito diferentes desses que hoje apedrejamos com nossas críticas mordazes.

Insistimos na visão reduzida de mocinhos e bandidos, de bons e maus quando, em verdade, essas forças lutam constantemente dentro de toda alma humana.

Pensando assim, veremos que o que nos horroriza, por vezes, é aquilo que muitos de nós temos medo de encontrar em nossa intimidade, ainda sombria e incompleta.

Podemos não cometer grandes crimes ou violências. No entanto, quem de nós pode dizer do que será capaz quando for colocado à prova ou quando exposto à situação parecida com esses que condenamos vorazmente?

E nossas pequenas violências diárias? Nossa agressividade nas palavras? Nossa maledicência? Nossas discretas vinganças...

Sem falar no que o nosso pensamento desenha, e não teríamos coragem de confessar nem ao mais fiel amigo.

Somos todos pacientes do mesmo hospital, em busca da vitória sobre as paixões. Alguns em estado mais grave, outros em situação estável e ainda outros quase recebendo alta.

Porém, não enxerguemos esse hospital como um lugar de doenças, triste e repulsivo. Ele é um local de cura, de tratamento e, por isso, de esperança.

Os que estão para receber alta, ou curados, representam a imagem do futuro para aqueles ainda em estado deplorável.

Uma instituição hospitalar é um local de busca pela saúde, onde os instrumentos, equipamentos e todos que ali trabalham lutam pela melhoria dos pacientes.

É por isso que a Terra nos oferece esta moradia provisória com tantos recursos para o restabelecimento de nosso bem-estar.

Nesta casa de esperança, os enfermos estão sendo tratados e cuidados, isto é, estão recebendo a ajuda que tanto necessitam.

Obviamente que a cura não depende apenas dos profissionais. Ela está associada, em primeiro lugar, aos pacientes. Se não houver a autocura, toda interferência médica externa será inócua.

É assim que a esperança, essa força íntima que nos dá a certeza do restabelecimento, desempenha fundamental papel.

Ela possibilita que não desistamos de nós mesmos e nem dos outros. Ela nos descortina objetivos no bem e clareza para alcançá-los.

Ter esperança não é aguardar de braços cruzados pela embarcação que nos levará para a outra margem do rio, com a alma na incerteza do virá ou não virá.

Ter esperança é atravessar o rio turbulento a nado, tendo a certeza de chegar à outra margem em breve, como muitos outros já chegaram.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Outubro, item 15, do livro Poemas de paz, pelo Espírito Simbá, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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