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Um simples sonho

De que tamanho são os nossos sonhos? Alguns sonhamos com viagens ao exterior, a fim de conhecermos maravilhas exóticas. Ou para nos enriquecermos da cultura de outros povos.

De que tamanho são os nossos sonhos? Alguns sonhamos com viagens ao exterior, a fim de conhecermos maravilhas exóticas. Ou para nos enriquecermos da cultura de outros povos.

Sonhamos adentrar em museus como o Hermitage, na Rússia ou nos extasiarmos com a produção artística e histórica do Museu do Louvre, em Paris.

Sonhamos visitar castelos antigos, respirando aventuras. Castelos imponentes que mantêm, entre as suas paredes, os registros de muitas gerações.

Outros sonhamos em possuir uma grande casa, quase mansão, com piscina, gramados extensos, jardins multicoloridos.

Sonhamos...

Mas, para alguns o sonho é bem mais modesto, embora não menos difícil de ser alcançado.

O de Beatriz, por exemplo. Aos dezenove anos, grávida do segundo filho, é simplesmente vender o seu café e, com a renda diária concluir o seu barraco, antes do nascimento do bebê.

Andando pelo asfalto de movimentada cidade brasileira, entre os carros, oferecendo o café, certo dia, um ônibus parou.

Pela janela, um passageiro gritou: Ei, você, quer um chá de bebê?

Ela foi tomada pela surpresa e, de forma maquinal, respondeu afirmativamente.

Ficou pensando que, em algum dia, em meio ao engarrafamento das sete da manhã, alguém descesse do veículo para lhe entregar um pacote de fraldas. Talvez algumas roupinhas usadas.

Três semanas depois, ao embarcar no horário habitual, no ônibus da linha que vai do Rio de Janeiro a Niterói, em duas únicas viagens diárias, uma de ida e outra de volta, ela foi surpreendida.

O ônibus estava decorado com flores e balões. Os passageiros, que tinham tudo combinado, previamente, haviam trazido bolo, salgadinhos e refrigerantes.

E ela teve o seu chá de bebê, ganhando roupinhas e muitas fraldas.

Uma passageira usou seu batom como pincel para enfeitar a barriga de Beatriz com o nome de Heloísa, que está a caminho.

Depois, Beatriz foi vendada e recebeu o desafio de adivinhar, pelo tato, os presentes que estava recebendo.

A brincadeira se estendeu até Niterói e ela, a mãe e a filha de três anos voltaram de carona no mesmo ônibus. Uma cortesia de Jorge, o motorista.

Emocionada, Beatriz diz que pretende trabalhar até os oito meses de gestação.

Diz que não se importa de enfrentar sol, chuva e poeira, para terminar a casa.

Um ato de solidariedade de passageiros acostumados a se servir do mesmo coletivo, todos os dias, fez sorrir uma jovem mãe.

Uma mãe que sonha com tão pouco: um local para receber bem quem está a caminho.

Ela nos fez recordar da gente que vive neste país. Gente deste torrão brasileiro.

Gente que mora num barraco, no alto do morro, bem pertinho do céu. Um barraco que é um lar.

Gente que tem garra, que sonha com um amanhã melhor, um futuro risonho, nesta bendita Terra do Cruzeiro.

Gente que sai pela manhã para defender o pão honrado do dia para si e para seus filhos. Gente que acredita no verde da esperança e no amarelo ouro de uma oportunidade que virá, em algum momento.

Gente brasileira. Gente de fé. Povo do meu país.

Redação do Momento Espírita, com base em notícia de Carina Bacelar, do Jornal O Globo, de 6.10.2017.

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